Sem pé nem cabeçalho

por Fabio Hernandez Caires Santana

Eu me calho
ao trabalho
de reatar
um retalho.

Nessa ata
sem atalho
eu malho.

Sem ralho
me espalho,
mas logo falho.

Eu encalho.

Em leito de rio seco,
rico só de cascalho.

Será que me fizeram um trabalho?
Haja dente de alho,
um amuleto, penduricalho.

Então, eis que me valho
de uma carta no baralho:
– Este poema que aqui entalho
é o próprio retalho
que eu tanto detalho.

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