Carta aos convictos

por Fabio Hernandez Caires Santana

Para que o medo não me cale
e a coragem não me cegue.
Nem esse texto por mim fale
e o seu peso me leve.

Para que uma fuga não me afague
em vasta venda que me veste.
Para que linhas não me apaguem
e nem eu pague ao que me apegue.

Para que a chama não me chame,
e essa sede não me seque.
Para que o meu rio não me derrame,
nem minha isca então me pesque.

Para que um fato não me fite
ou algum ditado me dite.
Nem ao acaso o meu descaso
ponha em mim seu dedo em riste.

Para que a inércia não me agrade
e nem que todo o caos me tente.
Para que de inteiro eu faça parte
do estandarte ao diferente.

Para que a vida seja arte
é a surpresa que eu espero,
que me perdoem os convictos,
mas eu sequer sei o que quero.

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