Consumo

por Fabio Hernandez Caires Santana

Sou cano quente,
sou bala al dente,
sou ferro fervente
fumegando à boca.

Sou mira dada,
par de mãos suadas,
além dessa alçada
sou a prece rouca.

Sou o tambor
que embalou a bala,
presenteou a vala
de mortalha aberta.

Gastou o gosto
tirado e posto,
comprou com imposto,
demanda e oferta.

E no suor
dessa minha caçada,
presenteio a bala,
com alguma testa.

Sou só desejo
que controla um corpo,
a beleza do pouco
me soa indigesta.

Bate de frente
impulso contundente,
sou posse, sou mente
fitando a loucura.

Brutas vontades,
vê como invadem
– animal selvagem
consumindo a cura.

A par dos olhos,
e dos meus ouvidos.
Tange às falanges:
– Dedo no gatilho.

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